domingo, 29 de junho de 2008

- Eu não consigo entender porque, em tão pouco tempo, as coisas estão ficando deste jeito. Não podemos chamar de rotina porque nem tivemos tempo de fazer tanta coisa e muito menos de repetir estas coisas. Ou seria a rotina a sucessividade de coisas novas que inventamos todos os dias para não tornar monótono a nossa relação?

- Eu faço de tudo para te agradar, tento te surpreender todos os dias. Abri mão de tanta coisa que eu adoro, que eu vivia para estar do seu lado e sinto que não tenho a mínima consideração.

- Não pense você que eu não te considero. Eu apenas quero mais respeito.

- Eu te respeito, só não sei se você gosta realmente de mim.

- Se não gostasse de você, não estaria aqui.

- Se você não estivesse aqui, onde estaria? Na sua vida monótona que você disse que adora e que abriu mão dela por minha causa?

- Eu sou jovem, tenho uma vida inteira pela frente e escolhi viver esta vida inteira pela frente ao seu lado.

- Foi escolha, então? Achei que era um encontro mágico, escrito nas estrelas, armadilha do destino e um sonho que vivíamos acordados...

- Eu digo, eu te amo, cinco vezes ao dia.

- Eu sinto que você me detesta, apenas me atura, cinco vezes ao dia.

- Você me sufoca.

- Você me reprime.

- Você me critica.

- Você me vigia.

- Você me atura, então?

- Você me suporta, então?

Viram para o lado. Nesta noite, eles não dormem abraçados. A luz do quarto, ao menos, é apagada. As músicas que tocam no rádio para embalar os seus sonhos, nem sequer são ouvidas. É tarde, madrugada. E para um deles, a rua e seus assuntos de boemia começam a fazer falta. Acreditam que o destino estava errado. Hora de dormir.

sexta-feira, 20 de junho de 2008

Agora eu vou de Kalluh...


Nada mais gratificante para um autor do que ter seu texto dirigido por um grande diretor. Já tive esta sorte com Inês Peixoto, Carlos Gradim, Freddy Mozart e Anselmo Vasconcelos. Existe em Belo Horizonte, ou melhor, no mundo, um cara sensacional chamado kalluh Araújo. Além de premiado, consagrado, requisitado e elogiado, ele fez parte da minha formação enquanto profissional, afinal, nunca deixei de assistir nada do cara... Entre suas obras, destacam, Dorotéia, Dona Flor e seus Dois Maridos, Os Dragões não conhecem o Paraíso, Decameron, Fantasmas Monstros e Assombrações, Anatmoia Humana, Perdoa-me por me traíres, Sambalele, Alzira Power, entre outras. Ontem, recebi o telefonema mágico. Aquelas coincidências da vida. Amauri Reis, meu ator preferido, estava aqui em casa e havíamos acabado de falar do Kalluh, quando o seu celular tocou. Era o próprio, e o melhor, procurando por mim. Queria saber os números dos meus contatos. Foi muito engraçado, Amauri me passou o telefone na hora e conversamos rápido, por um minuto. Tempo suficiente para que o meu coração disparasse e viesse a notícia boa. Ele começou os ensaios referentes ao meu drama cômico chamado 2 DE NOVEMBRO. A escalação eu vou deixar um tempo no suspense, mas posso garantir que é de qualidade, como tudo que ele faz. Hoje, 16 horas, terei reunião com ele, o produtor e elenco. Eles querem saber alguns detalhes da dramaturgia e eu darei uma mini-palestra para eles. Minha expectativa de uma excelente montagem começou naquele instante, porque tudo que Kalluh toca vira ouro. Sua sensibilidade, seu jeito, seu cuidado, seu carisma e toda sua genialidade impera nos seus compromissos. É um sonho realizado e eu não teria como não gritar para o mundo. Viva Dionísio e merda prá todos nós!

segunda-feira, 16 de junho de 2008


Última semana da temporada de AS BARBEIRAS no Teatro Pio XII. Um público bem fraco comparado ao sucesso que o espetáculo vem fazendo. Na útlima semana o público triplica. É o que esperamos, eu, atores, produtor executivo, diretor, técnicos e administradores do teatro. Na esperança... O espetáculo está bem mais maduro, mais engraçado e mais leve. Conseguimos baixar a censura para 10 anos, atendendo pedidos dos baixinhos que estavam loucos para conferir o trabalho de kayete e Nayla Brizard. Nesta temporada, o ator Rogério Viola se destacou pela prática do riso, afinal, o ator Rodrigo Salgueiro está viajando com o Feliz Cidade, um infantil que escrevi e dirigi. Vamos torcer!

segunda-feira, 9 de junho de 2008

A PRIMEIRA VEZ

Como esta é a primeira postagem no meu primeiro blog, nada melhor que começar com uma crônica que escrevi falando da primeira vez... ela se chama QUANDO DEIXEI DE SER CRIANÇA, já foi publicada em outro veículo, mas, por ser de minha autoria e celebrar o famoso "cabaço", vou começar por ela...
Na próxima oportunidade quero falar sobre o por quê de criar este blog e tê-lo como prática nesta tumultuada vida de escritor, dramaturgo, diretor e produtor de teatro.

Lá vai...


QUANDO DEIXEI DE SER CRIANÇA

DEIXEI DE SER CRIANÇA

Era domingo. Deixei de ser criança quando transei pela primeira vez. Na segunda, cheguei no colégio com um ar superior. Guardava um segredo no olhar. Olhava para os meus colegas virgens e me senti superior a todos eles. Eu havia aprendido, na prática, o que era excitação, sarro, penetração e orgasmo. Pensei, não mais precisaria de meus vôos solos na hora do banho. A partir daquele momento, eu só teria prazer com outra pessoa. Tentei pensar e agir como um adulto. Queria trabalhar, comprar um carro, sair de casa, comprar aliança de noivado e anunciar para toda a família que assumiria todas as minhas responsabilidades. Não consegui manter por muito tempo este desejo. Na hora do almoço, ainda assistia ao He-man. Quando a Xuxa ia embora na nave, eu continuava acreditando que ela realmente voava. Queria ir ao cinema para assistir o filme do Batman. Anotei no diário todos os segredos daquela descoberta. Sim, eu, homem, tinha um diário, outro segredo que escondia dos meus colegas.
Até chegar o dia da segunda vez que transaria, voltei para a minha alegre vida de criança. Dei aula para os meus alunos imaginários. Brinquei com os vizinhos da minha idade, na rua. Aprendi uma nova coreografia de lambada, sem encostar demais na colega. A gente não tinha idade. Eu só tinha experiência. Mas, não iria contar para ela.
Domingo foi a última vez que eu transei. Voltei a ser criança novamente. Queria trabalhar, comprar um carro, sair de casa, comprar aliança de noivado e anunciar para toda a família que assumiria todas as minhas responsabilidades...