domingo, 29 de junho de 2008

- Eu não consigo entender porque, em tão pouco tempo, as coisas estão ficando deste jeito. Não podemos chamar de rotina porque nem tivemos tempo de fazer tanta coisa e muito menos de repetir estas coisas. Ou seria a rotina a sucessividade de coisas novas que inventamos todos os dias para não tornar monótono a nossa relação?

- Eu faço de tudo para te agradar, tento te surpreender todos os dias. Abri mão de tanta coisa que eu adoro, que eu vivia para estar do seu lado e sinto que não tenho a mínima consideração.

- Não pense você que eu não te considero. Eu apenas quero mais respeito.

- Eu te respeito, só não sei se você gosta realmente de mim.

- Se não gostasse de você, não estaria aqui.

- Se você não estivesse aqui, onde estaria? Na sua vida monótona que você disse que adora e que abriu mão dela por minha causa?

- Eu sou jovem, tenho uma vida inteira pela frente e escolhi viver esta vida inteira pela frente ao seu lado.

- Foi escolha, então? Achei que era um encontro mágico, escrito nas estrelas, armadilha do destino e um sonho que vivíamos acordados...

- Eu digo, eu te amo, cinco vezes ao dia.

- Eu sinto que você me detesta, apenas me atura, cinco vezes ao dia.

- Você me sufoca.

- Você me reprime.

- Você me critica.

- Você me vigia.

- Você me atura, então?

- Você me suporta, então?

Viram para o lado. Nesta noite, eles não dormem abraçados. A luz do quarto, ao menos, é apagada. As músicas que tocam no rádio para embalar os seus sonhos, nem sequer são ouvidas. É tarde, madrugada. E para um deles, a rua e seus assuntos de boemia começam a fazer falta. Acreditam que o destino estava errado. Hora de dormir.

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